Por que é importante saber como anda o seu colesterol?

O nível de colesterol (um tipo de gordura) no sangue está relacionado com as chances de desenvolver doença cardíaca. Colesterol alto é um dos principais fatores de risco para doença do coração no futuro, e, quanto mais alto for o nível sanguíneo e maior o tempo de exposição a essa condição, maiores as chances de desenvolver doença nas artérias coronárias ou mesmo ter um ataque cardíaco.

O infarto agudo do miocárdio é a principal causa de morte entre homens e mulheres no Brasil e no mundo, representando 30% de todas as mortes. Somente no Brasil são 80 mil óbitos a cada ano e no mundo 17 milhões, número que corresponde à população da grande São Paulo. Por isso é tão importante controlar bem o seu colesterol.

 

Como o colesterol causa doença do coração?

Quando o colesterol no sangue está muito alto, ele pode acumular nas paredes das artérias em diferentes regiões do corpo, dentre elas as artérias do coração (coronárias). Com o passar dos anos, esse acúmulo de gordura irá “endurecer” e estreitar a artéria, reduzindo ou mesmo bloqueando completamente o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

O sangue carrega oxigênio e outros nutrientes para o coração. Quando a quantidade de sangue e oxigênio que chega ao músculo cardíaco não é suficiente para atender às suas necessidades, o paciente poderá experimentar uma sensação de dor no peito (angina). Mas se o suprimento de sangue para uma determinada região do coração for completamente interrompido por um bloqueio da artéria, o resultado será um ataque cardíaco (infarto do miocárdio).

O nível elevado de colesterol, por si só, não causa sintomas, o que explica porque muitas pessoas passam décadas sem saber que têm o problema. Por isso é importante dosá-lo periodicamente, pois corrigindo os valores elevados do colesterol, diminui-se o risco de um infarto ou morte por doença do coração, isso para todos: jovens, idosos, meia-idade, homens e mulheres – incluindo pessoas que já tenham ou não doença cardíaca.

 

Entendendo o que os números do seu colesterol significam

Todas as pessoas acima dos 20 anos de idade deveriam ter seu colesterol medido pelo menos a cada 5 anos. Para aqueles que tenham detectado alguma alteração nos valores, a avaliação deve ser anual. Ela é feita por meio de um exame de sangue chamado “Perfil Lipídico” que medirá os diferentes tipos de gordura presentes no plasma sanguíneo. A coleta de sangue deve ser realizada após um período de jejum de 12 horas e o teste fornecerá as seguintes informações:

– Colesterol total: No sangue, a gordura na forma de colesterol é “carregada” por diferentes partículas e dependendo do tipo de partícula carregadora, o colesterol recebe um nome diferente e assume funções diferentes no organismo. Desse modo, o resultado do colesterol total representa a soma dos diferentes “tipos” de colesterol e seu valor ideal deve ser inferior a 200mg/dl.

– LDL colesterol (colesterol ruim): É o tipo responsável pela deposição de gordura na parede das artérias. Para melhor entender, a LDL não “nasceu” especificamente para fazer mal para nossas artérias, mas para conduzir o colesterol até o fígado onde será liberado para subsequente metabolismo celular. É bom ressaltar que o bom funcionamento do nosso organismo depende muito do colesterol, pois ele é o principal constituinte da membrana de todas as células do nosso corpo e está presente em diversos hormônios. Em algumas pessoas, seja por excesso de ingestão (erro alimentar), menor utilização (inatividade física) ou menor capacidade de captação pelo fígado (defeito enzimático), o LDL-colesterol se acumula na circulação e acaba sendo depositado, em parte, na parede das artérias, levando a formação da placa de ateroma (placa de gordura) que será responsável pelo estreitamento da luz do vaso.

– HDL-colesterol (colesterol bom): A partícula HDL, por um mecanismo conhecido como transporte reverso, tem a capacidade de remover o colesterol depositado em tecidos periféricos (artérias, por exemplo) e conduzi-lo para o fígado onde será adequadamente utilizado. Níveis altos de HDL-colesterol são protetores para o coração e estudos revelam que a elevação de apenas 1mg/dl reduz em 4% o risco de desenvolver doença obstrutiva coronariana.

Triglicerídeos: É outra forma de gordura que também pode estar envolvida no desenvolvimento da doença obstrutiva coronariana, principalmente quando atinge valores muito elevados, acima de 400mg/dl.

 

Quais os valores de referência para o seu colesterol?

Não há um valor específico de normalidade para as gorduras no sangue, mas sim, uma distribuição em categorias de segurança, conforme a tabela abaixo:

 

Colesterol total Categoria
Menor que 200mg/dl

200 – 239mg/dl

Maior que 240mg/dl

 

 Desejável

Intermediário (atenção!)

Risco alto

 

LDL-colesterol Categoria
Menor que 100mg/dl

100 – 129mg/dl

130 – 159mg/dl

160 – 180mg/dl

Maior que 190mg/dl

 

 Ótimo

Próximo do ótimo (aceitável)

Intermediário alto (atenção)

Risco alto

Risco muito alto

 

HDL-colesterol Categoria
Maior que 40mg/dl

 

 Desejado

 

 

O que afeta o colesterol?

 Uma variedade de condições pode afetar os níveis de colesterol, algumas são imutáveis, outras são passíveis de modificação e dependem única e exclusivamente das atitudes de cada pessoa.

 

  • Condições imutáveis:

 

Idade e Sexo: À medida que homens e mulheres envelhecem, os níveis de colesterol aumentam. Antes da menopausa, as mulheres têm uma proteção hormonal e apresentam níveis de colesterol mais baixos do que os homens da mesma faixa etária. Porém, após a menopausa essa vantagem diminui ou mesmo desaparece.

Hereditariedade: Os genes determinam, em parte, quão alto será o colesterol. Em algumas famílias, o colesterol alto é uma característica genética.

 

  • Condições mutáveis:

 

Alimentação: Alimentos gordurosos ricos em colesterol e gordura saturada são os principais vilões. Peixes, aves sem pele, carnes magras, grãos inteiros, frutas e vegetais são livres ou possuem muito pouca gordura saturada e ajudam a controlar o colesterol.

Obesidade: Por si só é um fator de risco para doença cardíaca e ainda contribui para elevar os níveis de colesterol. O simples fato de perder peso pode ajudar na redução do nível do colesterol ruim (LDL), aumentar o colesterol bom (HDL), diminuir os triglicérides, além de melhorar a autoestima pela melhor aparência física.

Sedentarismo: Assim como a obesidade, não ser fisicamente ativo é um fator de risco para doença cardíaca. Atividade física regular, além de ajudar a perder peso, também pode auxiliar na redução do colesterol ruim (LDL) e aumentar o bom (HDL), reduzindo as chances de um infarto. Para ser fisicamente ativo, bastam 30 minutos de caminhada três vezes por semana, mas claro que todos os dias seria melhor ainda.

 

Com as informações sobre colesterol fica mais fácil mantê-lo dentro dos limites de segurança. Medidas simples como acompanhamento médico periódico, alimentação saudável, atividade física regular e controle de qualquer outra condição que aumente o risco de infarto, tais como parar de fumar, controlar a pressão e o diabetes e lidar bem com as adversidades da vida e do trabalho podem fazer toda a diferença.

 

 

*Dr. Silvio Gioppato é médico cardiologista, coordenador médico-científico nos serviços de Cardiologia Invasiva do Hospital Vera Cruz, em Campinas, e no Instituto Dr. Jayme Rodrigues do Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí. É membro da equipe de Cardiologia Invasiva do Hospital das Clínicas da Unicamp e também médico hemodinamicista colaborador do Hospital Bandeirantes, em São Paulo.

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