Você acaba de voltar das férias e já sente uma falta de energia inexplicável, dores no corpo e um desânimo enorme ao cumprir suas obrigações? É bem provável que você esteja com depressão pós-férias, mal que aflige 23% dos brasileiros, segundo estudo realizado pela Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil), instituição voltada para a investigação e gerenciamento do estresse.

Entre os participantes com diagnóstico de depressão pós-férias, os sintomas mais comuns foram dores musculares, incluindo cefaleia (comum a 87% deles), cansaço (83%), angústia (89%) e ansiedade (83%). Do total, 68% afirmaram usar medicamentos e 52% citaram o consumo de álcool como forma de aliviar o mal-estar.

A depressão pós-férias não deve ser confundida com o desconforto da segunda-feira, ou após um feriado prolongado, que produz sintomas menos intensos e duradouros.

O mal-estar na volta ao trabalho não costuma durar mais do que duas semanas, tempo que corpo e mente levam para se readaptar à velha rotina. Mas os sintomas são um indicativo de descontentamento com o ambiente de trabalho ou com o próprio ofício.

– Por que alguns pacientes têm?

Isso é muito comum e acontece com mais de 20% das pessoas. Para algumas pessoas, o retorno às atividades gera grandes problemas físicos, emocionais e comportamentais. Falta motivação para levantar, para fazer a barba e até para escolher a roupa para ir trabalhar. Tudo fica difícil, complicado, a pessoa demora mais para fazer qualquer coisa, fica mais preocupada, desmotivada, irritada.

– Quais são os sintomas?

Os principais sintomas físicos são dores musculares, cansaço, insônia, problemas gastrintestinais e sintomas emocionais são angústia, ansiedade, culpa, raiva.

– Quanto tempo é normal durar a depressão pós-férias?

Em média, duas semanas, pois é o período de adaptação do corpo a uma rotina que o trabalhador não estava mais acostumado.

– É possível amenizar esses sintomas?

Vale lembrar que a depressão pós-férias é caracterizada por uma insatisfação anterior no trabalho. Portanto, não acontece de forma súbita, é resultado de um sofrimento que já era percebido antes e que se manifesta com mais intensidade após o período de descanso. Portanto, é importante ficar atento ao dia a dia. Curtir o período de férias sem a angústia do dia da volta é o melhor remédio.

– Quando é preciso procurar ajuda?

As causas mais comuns da depressão pós-férias são insatisfação profissional, falta de possibilidade de promoção ou aperfeiçoamento profissional, ambiente hostil ou não-confiável e conflitos interpessoais no trabalho. Desse modo, talvez seja uma boa hora de avaliar qual é o foco do problema e, se for preciso, pensar em mudar de emprego ou buscar a ajuda de um especialista. O importante é que o trabalho e a rotina não se transformem em motivo de sofrimento.

– O que fazer para evitar (atitudes que podem ser tomadas antes e depois das férias)?

É importante ter calma, pois aos poucos, tudo volta ao normal e o desempenho pode até melhorar com as baterias recarregadas. Uma boa tática para retomar o ritmo e controlar esses sentimentos é listar os pontos a serem checados após as férias e conversar com a chefia e os colegas para entender os movimentos da empresa no período de ausência, utilize a vitalidade conquistada no período de férias a seu favor no ambiente de trabalho.

 

Texto escrito pelo Dr. Leonard F. Verea – médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina do Tráfego. É membro de entidades nacionais e internacionais. Atua como diretor do Instituto Verea e da Unicap.

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