O consumo de álcool, mesmo de forma moderada, é associado com um aumento do risco de danos cerebrais e de deterioração cognitiva, segundo a revista médica “The BMJ”.

Estudos analisaram as consequências nocivas para o cérebro de uma ingestão excessiva de álcool, mas muitos poucos o fizeram sobre um consumo moderado, segundo os autores.

Por isso, eles decidiram se lançar a examinar se uma ingestão comedida de bebidas alcoólicas tem consequências positivas, negativas ou nulas na estrutura e na função do cérebro.

Participaram do estudo 550 homens e mulheres saudáveis, e seus dados sobre ingestão semanal de álcool e seu rendimento cognitivos médio foram analisados durante 30 anos (1985 a 2015).

Os exames de função cerebral aconteceram em intervalos regulares, e ao final do estudo (2012 a 2015) os participantes se submeteram a um exame de ressonância magnética no cérebro.

Alguns fatores foram levados em conta no que poderia influenciar os resultados, como idade, sexo, educação, classe social, atividade física e social, tabagismo, risco de acidente vascular cerebral e antecedentes médicos.

 

Impacto na memória

Após analisar esses fatores, os pesquisadores descobriram que um maior consumo de álcool durante o período de estudo de 30 anos foi associado com um maior risco de atrofia do hipocampo – uma forma de dano cerebral que afeta a memória e a navegação espacial.

O estudo considera que uma unidade de álcool equivale a 10 mililitros. As 14 unidades que foram consideradas um consumo moderado correspondem a quatro pints (pouco mais de meio litro cada) de cerveja forte ou cinco taças de vinho.

Enquanto aqueles que consumiam mais de 30 unidades por semana estavam no grupo de risco mais alto em comparação com os abstêmios, mesmo aqueles que bebiam moderadamente (14 a 21 unidades por semana) tinham três vezes mais probabilidades de ter atrofia do hipocampo em comparação com os que não consumiam nada.

O maior consumo foi associado com uma menor integridade da substância branca e uma queda mais rápida da fluidez da linguagem.

Os autores do estudo afirmaram que se trata de um estudo observacional, por isso, não podem ser tiradas conclusões definitivas sobre causa e efeito, ainda que tenham apontado que o que foi notado pode ter importantes implicações potenciais sobre a saúde de um grande setor da população.

 

Classificação dos consumidores, suas doses e efeitos:

Bebedor Discreto (“bebedor social”): Ingere menos de 212 gramas de álcool por mês.
Bebedor Moderado: Ingere de 212 a 540 gramas / mês.
Bebedor Excessivo: Ingere mais de 540 gramas / mês.

A) Doses até 99mg/dl: sensação de calor/rubor facial, prejuízo de julgamento, diminuição da inibição, coordenação reduzida e euforia;

B) Doses entre 100 e 199mg/dl: 
aumento do prejuízo do julgamento, humor instável, diminuição da atenção, diminuição dos reflexos e falta de coordenação motora;

C.) Doses entre 200 e 299mg/dl: fala arrastada, visão dupla, prejuízo de memória e da capacidade de concentração, diminuição de resposta a estímulos, vômitos;

D) Doses entre 300 e 399mg/dl: anestesia, lapsos de memória, sonolência;

E) Doses maiores de 400mg/dl: insuficiência respiratória, coma, morte.

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