Nunca nos sentimos frustrados tão facilmente como estamos hoje. A tolerância ao diferente cada vez mais fica longe do palpável e do aceitável. Estamos vivenciando uma “era líquida” onde os sentimentos e relacionamentos se iniciam e se encerram rapidamente, sem podermos sentir com nossos órgãos naturais do sentido as belezas e prazeres a que temos direito e somos presenteados.

As pessoas estão mais fechadas, incrédulas e pessimistas. Cuidar da saúde mental tem se tornado símbolo de fracasso e fragilidade. E esse afastamento humano, que possui outro viés originado pelo uso excessivo dos meios tecnológicos, trouxe à tona vulnerabilidades físicas e psicológicas gerando os mais diversos transtornos emocionais.

A prática do suicídio tornou-se infelizmente mais frequente, o ato de ouvir com empatia ficou atrelado a concepções não valorativas, “cada um com seus problemas”.

Entre os fatores de risco associados com o suicídio estão: transtornos mentais, como depressão, bipolaridade, esquizofrenia; situações como isolamento ou vulnerabilidade social, desemprego, migração; questões psicológicas, como perdas recentes, problemas na dinâmica familiar; e condições clínicas incapacitantes, como lesões desfigurantes, dor crônica e câncer.

Por outro lado, o uso de drogas, principalmente cocaína e álcool, aumenta a impulsividade e, com isso, o risco de suicídio.

Devemos compreender que os mesmos problemas para uma determinada pessoa podem ser de diferente aceitação para outra pessoa. Isso ocorre porque todos nós temos personalidades distintas uma da outra.

Por isto não se justifica olhar o suicida como um doente: ele pode ser apenas alguém cuja angústia encontrou um limite que considera intransponível. Para além deste limite, perde-se a capacidade de raciocinar objetivamente.

E é bem provável que o ato suicida não implique num desejo de acabar com a vida, mas na intenção de fazer parar a dor que não se pode suportar. Sendo uma forma extrema de comunicar a solidão do sofrimento aos outros, é sempre um tardio pedido de ajuda.

A adolescência silenciosa preocupa os agentes de saúde mental, o diálogo é mínimo e os escapes do adolescente para compensar são caminhos muitas vezes prejudiciais. E os resultados muitas vezes são trágicos gerando dor e desespero do suicida e dos familiares.

Mas o que podemos fazer para mudar esse cenário?

Podemos fazer muitas coisas!

Ao primeiro sinal de tristeza, que seja de seu filho adolescente, familiar, amigo, colega de trabalho ou de amigos virtuais, dialogue, forneça sua preocupação, ofereça seu apoio, seu ombro, seu amor e sua presença.

Falar sobre o assunto é inexoravelmente necessário, divulgue sobre o assunto nas suas redes sociais, ofereça ajuda cada um da sua forma, faça uma ligação, envie uma mensagem.

Estudos descrevem 4 sinais característicos para identificar o comportamento suicida: 4D – Depressão, Desamparo, Desesperança e Desespero.

Observando esses sinais, procure ajuda psicológica o mais rápido possível!

Não ofereça nunca para a pessoa que sofre e sente dor, discursos críticos e invalidadores e nem palavras de culpabilizacão e julgamentos. O que menos a pessoa que atenta sobre sua vida precisa escutar é que sua atitude é uma covardia. Valide o sofrimento e a dor de quem pede ajuda.

Nos deparamos frequentemente com vários mitos, como por exemplo: “quem fala que quer se matar quer chamar a atenção”, “quem fala não faz”. Realmente quer mesmo chamar atenção sim! Para mostrar de uma forma disfuncional que há algo errado com ele e que precisa de ajuda.

Se você presentificar uma pessoa com ideacão suicida alguns passos podem te ajudar:

  1. Acolha a pessoa com sua dor e mostre-se que está ao seu lado para ajudar
  2. Deixe a pessoa desabafar e estimule a falar
  3. Se não quiser falar ofereça o número do CVV 188 – ligação gratuita
  4. Encaminhe urgentemente para médico e psicólogo

O médico vai tratar com medicação para eliminar os sintomas depressivos e de tristeza da pessoa e o psicólogo vai realizar um processo de psicoterapia que irá atuar nas raízes dos problemas fortalecendo para que a pessoa lide melhor com seus problemas e angústias.

Hoje o suicídio está entre as maiores causas de morte no mundo, principalmente no Brasil e sua colaboração pode ajudar em muito na diminuição desse cenário.

Texto escrito por Sílvia Helena Diegoli Machado, Psicóloga Clínica especializada em Transtornos de Humor e Depressão e tratamento a pessoas com comportamentos com tendências suicidas. Profissional atende pelo Salus.

 


 

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